A Campanha da Fraternidade realizada durante o período da Quaresma, deste ano de 2020, nos pediu um olhar de compaixão: “Viu sentiu compaixão e cuidou dele” (Lc 10,33-34). Quando foi pensada esta Campanha, não se imaginava que a mesma não pudesse ser concluída conforme programado. Ainda no decurso da Quaresma, o mundo inteiro sentiu  uma dor profunda e levou um susto imenso. O medo generalizado tomou conta da sociedade, pois um inimigo invisível entrou nas casas, viajou pelas ruas, praças e muitas portas foram fechadas inclusive as das igrejas.  As pessoas sentiram-se ameaçadas, independentemente da  condição social, cultural, religiosas e econômica. O Coronavírus  chegou de uma forma invisível, mas fazendo estragos profundos na vida humana.

Ao chegar o término do ano de 2019 todos estavam dizendo feliz ano novo. Sim falamos isso para muitas pessoas. Era uma esperança que  2020 traria felicidades. Mas onde está felicidade? Nossos sonhos fracassaram? Não podemos perder a esperança. Estamos ameaçados por um inimigo invisível, mas há um Deus que nos conforta. “Há uma luz, não no fim do túnel, mas no meio dele” (Fr. Carlos Mesters). Essa luz é Jesus.

Neste tempo de inseguranças têm surgido muitos gestos de solidariedade. Eles não precisam ser grandes, basta serem feitos com amor. Muita gente está fazendo máscaras para doar aos pobres. As paróquias estão fazendo campanhas de alimentos e vestes para socorrer as pessoas que estão precisando. Os gestos de solidariedade estão se multiplicando. O povo brasileiro sabe por mais água no feijão e assim o pão se multiplica. Com o nosso amor muita gente pode ser amparada. O Papa Francisco, no dia 9  de maio telefonou para o Cardeal de São Paulo,  Dom Odilo Scherer, se solidarizou com os sofredores e perguntou:  “Como estão os pobres”?

Vamos olhar para além de nossas casas e perguntar como estão pobres? Existe muita gente boa que se compadece  e quer  cuidar dos outros. A Igreja como mãe cuidadosa dos seus filhos e filhas se preocupa com os pobres e quer ajudá-los, especialmente nesse momento de fragilidade. Não podemos ficar indiferentes à dor e à vulnerabilidade humana. Vamos repartir, confortar e curar. Muitas vezes aqueles recursos disponibilizados pelas grandes empresas não chegam imediatamente até os pobres, não lhes traz alívio. Com a força do Espírito Santo agindo em nós, na  sensibilidade cristã  e com a organização das comunidades  muita gente poderá ser socorrida. Vamos  perguntar como estão os pobres da nossa rua, de  nossa comunidade  e de nossa paróquia. Vamos descobrir como eles estão e uma vez conhecendo a dor deles, não podemos ficar insensíveis à situação que clama ajuda. Quem fica invisível é o vírus que causa mal. A comunidade cristã precisa ter uma presença visível e samaritana, na sociedade.

Neste tempo de pandemia com tantos anúncios de saturação dos sistemas de saúde,  de mortes e sepultamentos em valas comuns, corre-se o risco de ficar insensível a tanto sofrimento. Não podemos ser assim indiferentes. O olhar de indiferença mata. Vamos ser solidários. Podemos rezar, podemos oferecer amor  aos que necessitam, podemos estender as mãos oferecendo um pouco do que somos e temos. Ajudar é preciso. A ajuda solidária traz alegria ao coração do necessitado. Deus não cessa de nos ajudar, por isso somos felizes. Não podemos ficar insensíveis. Vamos socorrer quem está no caminho sem forças para seguir.

Dom Messias dos Reis Silveira

Bispo diocesano

Quando se fala em comunidades eclesiais  todos nós entendemos que se refere a um jeito de viver o ser Igreja. Não existe uma única forma de ser Igreja. Todos os modelos e experiências de fé para serem Igreja necessitam estar em comunhão com o  Bispo e com toda  Igreja Católica Apostólica Romana.

As comunidades referem-se especialmente a um pequeno grupo de pessoas que se reúnem fortalecidas pelos valores do Evangelho e aí vivem a  fé se tornando um grupo de resistência contra os males que desqualificam a vida. As comunidades de base tem sido lugares de vivência e de testemunho da fé. As Diretrizes da ação Evangelizadora da Igreja no Brasil 2019 a 2023 referem-se a essas experiências como comunidades missionárias. Em todo País é  grande o número destas comunidades missionárias quer nas áreas urbanas, ou rurais. Elas nascem e se expandem na força do Espírito Santo.

Devido à crise provocada pelo avanço do  Coronavírus que fez desaparecer  as  aglomerações quer nas matrizes, capelas, ou nas comunidades menores, as pessoas por orientação da própria Igreja não estão mais frequentando as comunidades. Os fiéis não se reúnem mais nos grupos pastorais, não estão presentes nas reuniões dos grupos de oração, nos grupos de reflexão e nos movimentos eclesiais.

Perguntamos: Onde está a Igreja? O sacerdote se reúne com pouquíssimas pessoas numa comunidade e ali celebra  a Eucaristia. Os meios de comunicação são utilizados para alcançar  as pessoas lá onde elas estão. Elas sabem que naquele   momento existe alguém lá na igreja rezando por elas. As preces dos que estão em casa sobem aos Céus com todos que se fazem comunhão. A Eucaristia continua formando comunidades. O Evangelho se espalha.

A Igreja está na base. A família é o lugar onde especialmente se deve começar a formar a comunidade. É bonito o testemunho sólido de pessoas que dizem assim: “Minha mãe, meu pai me transmitiram uma fé bonita e eu  guardo  esta fé que foi vivenciada primeiramente no berço da família”. Eu pessoalmente posso testemunhar que nunca frequentei um grupo de catequese, pois ele não existia naquela época e naquelas circunstâncias em que eu vivia lá na roça, junto de meus pais. Mas alguém pode perguntar: Como era feita a catequese? Ela talvez  não tinha este nome, não era chamada de catequese,  mas sei que muitas e muitas vezes meu pai e a minha mãe foram transmitindo o seu conhecimento e o seu testemunho a mim.  O  jeito deles  viverem a fé,  rezar e praticar a caridade foi impregnando no meu ser  e foi  modelando a vocação cristã que assumi  no dia do meu batismo.

As pessoas agora, mais do que nunca, estão dentro de casa. As crianças, os adolescentes, os jovens, pais e avós não podem ir à igreja porque é preciso se protegerem e dar proteção aos outros. Eles têm consciência que precisam evitar serem contaminados para não adoecer e nem  serem portadores do vírus. As pessoas estão dentro de casa e ali as famílias estão reunidas. É tempo de perceber que aí, neste ambiente familiar,  deve se formar na fé cristã. Ali nas casas está a base da Igreja. Quanta coisa boa se pode viver neste tempo de recolhimento familiar.

 Trata-se  sobretudo de um tempo propício para rever o jeito de ser família e como testemunhar. Agora se pode encontrar tempo para Deus e para todos. O mundo estava nos enlouquecendo, pois  embora conectados com tantas realidades estava faltando o calor e alegria do encontro. A dor e alegria dor irmão e própria presença era desconsiderada. A dor se tornava  procurada, não por solidariedade, mas para ser divulgada com rapidez pelas redes sociais. Existia uma vontade de ser o primeiro a divulgar o que se via.

Agora chegou o tempo do estar juntos, conviver e sentir o cheiro do irmão e da irmã. É tempo de reconstruir um novo relacionamento entre si e com Deus. A Igreja está aí, nas casas, para recriar um mundo novo a partir da família que é a célula da sociedade. Estamos como que na “Arca de Noé” esperando a recriação do jeito de viver e a nossa fé nos indica que aurora vai chegar.

Dom Messias dos Reis Silveira

Bispo de Teófilo Otoni MG

No dia 14 de novembro de 2018 foi publicada a notícia de minha nomeação para Bispo de  Teófilo Otoni. Havia muita expectativa da minha  parte e também das pessoas da nossa Diocese. No dia 16 de fevereiro teve início a minha missão pastoral aqui. Uma celebração bonita abriu o meu caminho pastoral. Houve uma grande participação dos diocesanos:  sacerdotes, seminaristas, religiosos e religiosas e cristãos leigos.

Um ano se passou. “Como o tempo passa rápido!” Todos nós dizemos e sentimos isso. Eu precisava conhecer a Diocese, sua realidade, as pessoas, seus desafios e me lançar. Assim procurei entrar nesta nova realidade que descortinava a minha frente. Certa vez li em um livro que viver consiste em solucionar problemas. Eles não  devem nos assustar. Não existem nenhum lugar, família, diocese e pessoa que não tenha nenhum problema que clama por solução. Algumas situações vão nos acompanhar até a eternidade. Mas, não podemos nos acomodar. É preciso descobrir o que precisa ser trabalhado, resolvido e começar. Não se resolve tudo de uma vez, mas uma coisa de cada vez. Mas, ser Pastor não consiste em apenas solucionar problemas, pois é preciso antes de tudo animar o povo anunciando o evangelho, santificando e governando, sempre em comunhão.

Ao chegar aqui fiquei feliz descobrindo que nossa Diocese tem uma história marcada pela evangelização, promoção da dignidade humana, compromissos sociais, culturais e eclesiais. É uma diocese que me torna feliz e sonha com a mente e coração de Cristo. Busca a beleza da mensagem de Jesus.

Ainda no ano passado iniciamos um processo sinodal, construindo nosso Plano de Pastoral, o qual será aprovado na Assembleia Diocesana a ser realizada no mês de agosto. Esse Plano dará norte para as nossas ações. Ele será construído por muitas mãos. Muita gente já deu a sua contribuição na elaboração do instrumento de trabalho que será enviado para as pastorais, movimentos, setores, paróquias e organismos. Todos poderão dar a sua contribuição. Já temos no texto, chamado instrumento de trabalho, a nossa história, nossos desafios, a iluminação bíblico teológica. Os próximos passos serão buscar as indicações do que precisamos fazer e a elaboração dos projetos pastorais. Estou feliz e entusiasmado com esse processo que culminará no nosso plano diocesano de pastoral.

Neste primeiro ano de meu pastoreio, graças ao esforço de todos estamos colhendo alguns frutos: pagamento da dívida da diocese, preparação do novo estatuto diocesano, celebração do ano jubilar em andamento, implantação da pastoral presbiteral, envio de padres para estudar Direito Canônico tendo em vista a instalação do Tribunal Eclesiástico, projetos de reforma de algumas instalações, visitas a todas as paróquias, estruturação da pastoral vocacional, inauguração do novo seminário de teologia, aprovação para a implantação do diaconato permanente,  solução de algumas situações específicas nem sempre conhecidas de todos os diocesanos, constituição dos conselhos de presbíteros e econômico administrativo, aprovação dos primeiros candidatos para serem ordenados diáconos, celebração de admissão e ministérios de seminaristas, realização de várias reuniões, transferências e posse de vários padres e muitas celebrações de crisma. Não é possível enumerar aqui todos nossos avanços. A Diocese está caminhando. Podemos nos alegrar, pois luzes continuam a se acender em nosso meio. É preciso perceber a presença do Senhor, em meio a tudo o que acontece. Ele está no meio de nós.

A minha esperança é que essa Igreja tão viva e dinâmica, que já tem uma história de 60 anos, possa prosseguir. Os meus predecessores, com muito esforço, conduziram a  Diocese até a minha chegada. Feliz por Deus ter me colocado em missão aqui, quero continuar. Peço a Ele que me ajude para que eu possa realizar a vontade Dele  aqui. O nosso amanhã nos desafia a sairmos com renovado ardor missionário. Nossa Igreja Diocesana clama por evangelização. A luz de Evangelho ainda não chegou a muitas pessoas, ou tendo chegado apagou-se, ou está quase se apagando. Vamos juntos, pastor e rebanho, agradecer pelo que vivemos e pedir graças para  mais um ano de pastoreio, que se abre à nossa frente.

Dom Messias dos Reis Silveira

Bispo Diocesano

Amados Diocesanos e Diocesanas

Ao iniciar hoje o Tempo do Advento, anuncio que estamos no Ano Jubilar da criação de nossa Diocese de Teófilo Otoni. O Santo Padre o Papa, hoje São João XXIII, no dia 27 de novembro do ano do Senhor de 1.960, criou a nossa amada Diocese. Venho convidar a todos para celebrar este  Ano Jubilar que estamos vivenciando. Na Bula de criação da Diocese, Sicut Virentes, o Papa disse: “Assim como as árvores virentes produzem frutos mais copiosos quando delas destacamos alguns ramos para plantá-los na terra, assim também, quando de dioceses se desmembram novas dioceses, as causas religiosas  das comunidades cristãs recebem novo incremento, e oferecem-se aos fiéis admiráveis”. Foi desta forma que de nossa mãe Araçuaí foi destacado um ramo e aqui foi plantado e este cresceu, produziu folhas e frutos  que têm servido para remédio e sustento espiritual do povo que aqui habita.

Amparados por nossa mãe Imaculada Conceição, nossa padroeira diocesana, estamos fazendo um caminho marcado por muitos esforços de evangelização, santificação das vidas, superação dos obstáculos, conquistas de direitos, resistências às forças do mal e pela busca de uma  vida digna, conforme Deus quer.

Neste tempo vivido muitas pessoas foram evangelizadas, batizadas, crismadas, perdoadas, eucaristizadas, ungidas e casadas. A vocação batismal foi vivenciada e os cristãos leigos e leigas se tornaram sal da terra, fermento e luz na sociedade.

Como é linda a nossa Igreja! Na profissão de fé rezamos: “Creio na Igreja, una, santa, católica e apostólica”. Essa nossa Igreja particular, em comunhão com o Santo Padre, o Papa e o colégio universal dos Bispos é construção de Deus (1Cor 3,9), é casa de Deus na qual habita a sua família, é morada de Deus no Espírito (Ef 2, 19-22) é tenda de Deus entre os homens (Ap 21,3) e principalmente templo do Espírito Santo.

A Igreja não começou por acaso. Está prefigurada na origem do mundo. “Deus criou o mundo em vista da comunhão com sua vida divina, comunhão essa que se realiza pela convocação dos homens em Cristo” (CIgC , 759). A Igreja foi preparada na Antiga Aliança desde a vocação de Abraão a quem Deus promete que será pai de um grande povo, até sua instituição por Cristo. “Seu começo e crescimento são significados pelo sangue e pela água que saíram do lado aberto de Jesus crucificado” (CIgC 766). A Igreja foi manifestada pelo Espírito Santo e está a caminho da glória. Ela só terá a sua consumação na glória celeste. Para esta consumação caminhamos buscando a  santificação de nossas vidas.

Somos a Igreja de Pedro, conduzida pelos sucessores dos apóstolos. Recordamos com gratidão de Dom Quirino, Dom Fernando Figueredo, Dom Waldemar, Dom Diogo, Dom Aloísio Pena e eu índigo servo de Cristo tenho alegria de presidir nesta atualidade, essa Igreja Particular.  Muitos sacerdotes, religiosos e religosas contribuíram e estão contribuindo para que nossa Igreja cumpra sua missão que nestes tempos é a de “evangelizar num ambiente cada vez mais urbano, pelo anúncio da Palavra de Deus, formando discípulos e discípulas de Jesus Cristo, em comunidades eclesiais missionárias, à luz da evangélica opção preferencial pelos pobres, cuidando da casa Comum e testemunhando o Reino de Deus rumo à plenitude” (Objetivo Geral DGAE).

Ao celebrar nosso jubileu o façamos agradecendo a Deus pelo que alcançamos e pedindo o perdão pelos nossos erros e pecados que devido a nossa humanidade vacilante acabamos cometendo.

Rezemos pedindo ao Senhor que continue a enviar operários para a messe e para que  sustente os missionários e missionárias que aqui atuam.

A Imaculada Conceição de Nossa Senhora nos ajude a celebrar bem este tempo de graça e nos abençoe.

Dom Messias dos Reis Silveira

Bispo Diocesano

A Igreja de Cristo está em missão no mundo. Foi Ele mesmo que enviou o seus discípulos a pregarem a sua Boa Nova. O mundo está necessitado da luz do Evangelho. Ainda não foram iluminadas muitas áreas da existência humana. Existe uma produção de trevas que tende encobrir o mais belo pulsar da vida. A oração de São Francisco de Assis é um projeto evangelizador: “Onde há trevas que eu leve a luz”. Necessita-se de luz em todos os lugares. A luz, conforme disse o Filho de Deus, não é para ficar escondida, mas para ser colocada, num lugar, onde seus raios possam se expandir e, muita gente possa ser beneficiada por ela.
Os batizados trazem dentro de si a luz de Cristo. No Batismo é entregue uma vela acesa representando a luz de Cristo. A luz divina habita na vida humana e precisa transparecer. Moisés quando encontrou-se com Deus, desceu da montanha com seu rosto brilhante. As pessoas viam que seu rosto estava iluminado. Não era com certeza uma luz que vinha de fora, mas do seu interior e bem estar por ter se encontrado com Deus. Moisés não precisava dizer muitas palavras, mas da alegria do seu interior brotava a esperança de Deus para o povo.
Pedro, Tiago e João depois da experiência transbordante de luz, no Tabor, também desceram da montanha para serem luz no mundo. Foi com a perspectiva de iluminar que Jesus enviou os seus discípulos para o meio do mundo.
Hoje os batizados desde as criancinhas, meninos e meninas, adolescentes, jovens, adulto e os idosos, vivendo a fé, estão no mundo, como enviados de Jesus através de Igreja, para viver a fé cristã e iluminar.
Gosto muito da Vigília Pascal quando a partir de uma luz central a igreja vai se iluminando. Assim a partir da Fé os batizados vão tendo outras luzes se acendendo em suas vidas e no mundo. Na perspectiva da vida sacramental muitas luzes se acendem. O casamento é uma luz, a confissão, a eucaristia, a ordem e assim por diante as luzes de santidade iluminam a terra. Os batizados estão portando a luz de Cristo. A evangelização e o testemunho são luzes para todos os filhos de Deus.
Todo batizado é um missionário. É preciso primeiramente que tenha em si a alegria de ser cristão. Como é bom sentir-se feliz por seguir Jesus. É preciso amar a vida, com seus desafios e conquistas. É preciso amar o Senhor da vida. Atrás da ação do batizado está o envio do Cristo. Qualquer mal praticado por algum batizado, não é cumprimento da missão, mas desvio dela. O discípulo é enviado como ovelha no meio de lobos. Não deve temer. Feliz de quem, na fé, avança. Atrás de nossa história existem muitos testemunhos de doação. Existe um mar de vida santificada e de martírio que nos impulsiona a seguir. Jesus é o primeiro mártir que colocou seu sangue como origem do rio que nos leva para frente. A partir de Jesus muita gente deu a vida, não abandonando a fé. A romaria e missão profética dos batizados prossegue.
O Espírito Santo conceda-nos a graça para seguir iluminando a vida a partir da vivência da vocação batismal.

Dom Messias dos Reis Silveira
Bispo Diocesano de Teófilo Otoni MG

As Diretrizes da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil  tem como objetivo “Evangelizar no Brasil cada vez mais urbano, pelo anúncio da Palavra de Deus, formando discípulos e discípulas de Jesus Cristo, em comunidades eclesiais missionárias, à luz da evangélica opção preferencial pelos pobres, cuidando da Casa comum e testemunhando o Reino de Deus rumo à plenitude”. Evangelizar é nossa missão. Existem muitas áreas da sociedade e da vida pessoal de cada um de nós que a luz do Evangelho ainda não alcançou. É preciso ajudar  descobrir Jesus Cristo que está no meio de nós e quer comunicar conosco.

“O anúncio de Jesus Cristo se faz no horizonte do Reino de Deus, que é o centro de sua vida e de sua pregação. Jesus “percorria cidades e povoados, proclamando e anunciando o Evangelho do Reino de Deus” (DAEG,13). Evangelizar é uma necessidade. A Palavra é um dos Pilares da ação evangelizadora na Igreja do Brasil.

Não dá para pensar a vida cristã menosprezando a Palavra de Deus. A iniciação à vida cristã e a animação pastoral encontra força, luz, inspiração, graça e solidez na Palavra de Deus. Não se trata simplesmente de ler, ou estudar a Sagrada Escritura, mas de buscar a intimidade com Cristo. A leitura orante ajuda muito na vivência desta intimidade com Jesus.

A Igreja no Brasil desde o ano de 1.971 dedica o mês de setembro para o estudo e oração de um dos livros da Bíblia. Neste ano escolheu-se a Primeira Carta de São João com o tema: “Amamos porque Deus primeiro nos amou” (1Jo 4,19). Quem se sente amado tem muitas de suas enfermidades curadas, sente-se mais vivo e encorajado a doar a sua vida. No começo de tudo está o amor de Deus. O primeiro grande ato do amor de Deus é a criação. Acompanhei nestes últimos tempos a gravidez de uma parente e vi o quanto o pais e todos que estavam ligados àquela família amavam aquela criança que estava sendo gestada. A criação nos faz pensar no quanto Deus nos amou e continua a amar. O amor não se encerra no nascimento.  Dar à luz não é apenas permitir nascer, mas é ao longo do percurso  acender luzes na vida do nascido introduzindo-o na vida familiar, na escola, na iniciação à vida cristã,  dando a  resposta vocacional e assim por diante até o encontro com a luz eterna, que é  Deus.

A primeira carta de João é um texto relativamente pequeno. Contém apenas cinco capítulos. Vamos aproveitar este mês e rezar um pouco mais esse texto sagrado? Com certeza quem o fizer vai descobrir o quanto Deus o ama e vai se esforçar ainda mais para ser uma grande expressão de amor neste mundo.

O mundo, as famílias, as comunidades, nossos parentes, nossos vizinhos, colegas, pobres e abandonados estão precisando de amor. Vamos amar porque primeiro Deus nos amou (Cf. 1Jo 4,19).

Dom Messias dos Reis Silveira

Bispo de Teófilo Otoni – MG

Pela graça de Deus nasci no dia 25 de dezembro de 1958, na cidade de Passos MG. Meus pais que hoje  vivem na eternidade eram pessoas de uma fé muito bonita e quiseram que eu seguisse a mesma fé, por isso me levaram para ser batizado. Ao longo da vida, ainda na infância, senti que estava presente em mim a vocação sacerdotal. Eu gostava da religião e na escola manifestava desejo de ser padre. Muitas vezes brinquei de ser padre celebrando “missas” e fazendo “batizados”. O tempo passou, me tornei um jovem. Estava com os estudos atrasados, pois vivia na zona rural e ali era difícil conseguir escola. Para fazer a quarta série tinha que ir à cavalo cerca de 10 km todos os dias. Somente com 19 anos ingressei no Seminário dos padres Redentoristas, em Sacramento MG. Aquele foi um tempo muito bonito em minha vida. Ali recebi os fundamentos de minha formação sacerdotal. Dedicava intensamente aos estudos, à oração e era obediente a tudo que os formadores me solicitavam. Depois fui para Campinas SP, onde cursei Filosofia. Ali vivi um momento difícil de crises e muitas angústias. Deixei o seminário, retornei para a casa de minha família, trabalhei como representante comercial até com sucesso,  mas o chamado persistia.

Escrevi ao Bispo Diocesano de Guaxupé, fizemos troca de algumas correspondências. Ele mesmo era o promotor vocacional na diocese. Depois de um certo tempo o visitei e ele me disse que eu estava aprovado para ingressar no seminário. Aquela foi para mim uma notícia maravilhosa. Subi as escadarias da Catedral, entrei na igreja e ali fiz a minha oração agradecendo.

Os seminaristas da Diocese naquela época estudavam no Seminário da Arquidiocese de Ribeirão Preto, onde realizei os meus estudos teológicos.  Em 1992 no dia 11 de agosto fui ordenado padre na cidade de Alpinópolis MG, onde reside minha família. Minha ordenação foi muito simples, mas bonita. A casula a tomei emprestada de um colega.

Durante onze anos e meio meu ministério foi dedicado à formação de presbíteros e também ao atendimento em paróquias. Depois deste tempo fui designado Pároco da Paróquia Nossa Senhora da Dores, em Guaxupé, naquela igreja onde entrei para rezar quando o Bispo me disse que eu estava aprovado para ingressar no seminário.

No dia 20 de dezembro de 2006 recebi do Núncio Apostólico a notícia de que o Papa Bento XVI havia me nomeado Bispo para a Diocese de Uruaçu e no dia 11 de março de 2007 fui ordenado bispo. Servi aquela Igreja por quase 12 anos e depois foi transferido para a Diocese de Teófilo Otoni MG, onde me sinto muito feliz cumprindo minha missão.

Penso que a vida humana se assemelha a um carro. A pessoa compra um carro novo e sai feliz da concessionária. Vai mostrá-lo aos amigos, pede a bênção de Deus para aquele novo veículo e passa a cuidar dele com muito zelo. Parece que tudo nele é perfeito, mas é só começar a rodar que aparece a necessidade de manutenção e surgem problemas. Um carro traz benefícios, mas gera despesas.  Ele precisa de combustível para seguir em frente. Caso não seja abastecido é certo que vai parar na estrada e a viagem não prosseguirá enquanto não vier o socorro. O carro precisa também de um bom motorista, pois isso lhe dá vida mais longa e segurança aos passageiros. Existem carros menores e maiores, com menos potência, com maior poder  de velocidade e segurança. A vida humana se assemelha a tudo isso.

Existem carros que são acidentados na viagem. Alguns sofrem acidentes mais leves e outros mais violentos com perda total. Outros sofrem arranhões às vezes pequenos e outros maiores que precisam de reparos. Carros batidos podem seguir viagem, mas serão sempre carros batidos. Terão sempre a marca de carros batidos.  Muitas pessoas se sentem parte integrante do carro, parece que ele é extensão de seus  corpos. Existem pessoas que morrem com a morte do carro. O carro da vida está entranhado na própria vida de tal forma que não é possível separar um do outro. O carro da vida só consegue viajar bem na estrada viva que é Jesus, caminho verdade e vida (CfJo 14,6).

Indubitavelmente  a vida se assemelha a um carro, pois no começo tudo parece perfeito, mas logo vem a necessidade do reparo batismal, dos cuidados para sua preservação, precisa de um bom condutor e muitos abastecimentos no percurso. Caso venha a sujeira precisa-se do banho penitencial. Esse cuidado com a vida é encontrado na Igreja, nas pessoas de bem, nas boas leituras, nos Sacramentos, na Palavra de Deus e na boa convivência.

Ninguém deseja bater seu carro, mas às vezes isso acontece. Na maioria das vezes as pessoas desejam acertar, mas também caem em erros os quais deixam marcas profundas. Pode-se fazer o reparo, mas a lembrança permanece. Assim também um carro batido pode ser concertado e deve seguir como se não fosse carro batido. Caso   o motorista siga viagem entristecido, pensando que seu carro é batido, ele terá uma viagem atormentada, mas se segue adiante com o objetivo de chegar e vai curtindo as alegrias do caminho a viagem se tornará agradável.

Muitas pessoas tiveram problemas sérios nas suas vidas sejam eles de ordem pessoal, familiar, social, moral, ou espiritual. O reparo com certeza foi feito e não adianta ficar lamentando dizendo que nunca queria ter passado por aquela experiência. A vida se tornou um carro batido e é preciso prosseguir. Depois de certo tempo de existência normalmente todos se tornam como carros batidos. Feliz de quem ainda tem o gosto de continuar a viagem mesmo sabendo que o carro de sua vida tem as características de ter sido  acidentado, mas está consciente que foi reparado pela graça divina.

Dom Messias dos Reis Silveira

Bispo Diocesano de Teófilo Otoni MG

Somos Comunicação

Eis que ressurge o nosso site diocesano. Depois de um tempo fora do ar, ele volta com toda vitalidade. Aqui queremos comunicar a beleza de nossa vida diocesana e a alegria de sermos uma Igreja comprometida com Cristo e seu Reino. Será esse canal um lugar de encontro e de revitalização de nossas vidas e esperanças através das boas notícias e da formação. Existem muitas coisas boas acontecendo entre nós as quais precisam ser comunicadas. A humanidade está cansada e abatida de tanto ouvir notícias desastrosas, desumanizantes e que matam a esperança. Muitas vezes na mídia se comunica de forma chocante a dor, ou a morte de alguém. Queremos aqui exercer  a vocação de comunicadores e ajudar aos internautas a não ficarem parados nas misérias humanas, mas que rezando os fatos encontrem o sentido da vida.  Conhecendo a beleza de nossa  vida diocesana todos sintam-se felizes por serem Igreja . Nossa intenção é comunicar o nosso jeito de ser Igreja diocesana, mas também e como a amada Mãe  Igreja está em movimento constante no mundo todo, contribuindo para que todos tenham vida em abundância, como anunciou Jesus (Jo 10,10).

Deus é comunicação. “No princípio era o Verbo e o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus” (Jo 1,1). A maior comunicação que pode existir no mundo, é Deus mesmo. A criação é uma grande comunicação de Deus.  Ele quer que a criação se comunique. As águas procuram umas as outras formando rios maiores até chegarem ao oceano. Os animais e as aves através de uma comunicação própria se agrupam formando comunidades.  As árvores estendem seus ramos, como braços, querendo fazer uma comunicação afetiva na natureza. As águas, como um espelho, acolhendo o que se aproxima delas, refletem a natureza e as vidas. As pessoas desde o ventre materno até a na morte se comunicam. Quanta comunicação no corpo humano! Os ossos, as terminações nervosas,  os olhares, as expressões faciais  comunicam algo acontecendo na vida. O corpo se torna comunicação da vida interior. As pessoas são chamadas a se comunicarem.

O comunicador é também uma notícia. Assim Jesus, o grande comunicador do Pai, foi e continua sendo a Boa Nova para a humanidade. A partir de Jesus, e Nele, todos podem comunicar a si e ao que percebem nos caminhos humanos.

Nossa Diocese  inspirada na força do Espírito será sempre comunicadora. Faremos uso dos meios de comunicação favorecendo um encontro entre nós e com Cristo.

Toda notícia que faz crescer, é uma excelente notícia e deve ser difundida como um suave perfume que alegra o espírito e une as pessoas.

Alegro-me por ver nosso Site restaurado. Desejo que este ambiente digital, seja repleto de vida e, ajude aos internautas a crescerem no verdadeiro sentido da vida. Será bom se as nossas notícias chegarem como um som de bênção e de paz. Aquelas notícias que ocasionalmente chegarem em meio às dores não tenham ponto final em si mesmas, mas alimentem o desejo de superação, de busca da paz e de santificação, pois precisamos acreditar  que é possível, um mundo melhor.

Obrigado por sua visita ao nosso Site. Permaneça conosco, pois você está numa casa de irmãos comunicadores. Somos a família de Deus que vive em constante comunicação.

Dom Messias dos Reis Silveira

Bispo Diocesano

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