Abertura do ano Jubilar diocesano, 60 anos de evangelização

Neste dia 27 de novembro de 2019 , Dom Messias presidiu juntamente com seu clero diocesano e toda comunidade diocesana a missa de abertura do ano jubilar da diocese, sendo que durante todo ano de 2020 aconteceram atividades de comemoração da criação da diocese.

identidade visual celebrando os 60 anos da diocese

Homilia abertura do Ano Jubilar

Estamos abrindo o Ano Jubilar da criação da nossa Diocese de Teófilo Otoni. Vamos visitar o passado para construir as bases do futuro.

O Santo Padre o Papa, hoje São João XXIII, no dia 27 de novembro de 1.960 criou a nossa amada Diocese. No próximo ano celebraremos nosso o jubileu de diamante.  Na Bula, Sicut Virentes, o Papa disse: “Assim como as árvores virentes produzem frutos mais copiosos quando delas destacamos alguns ramos para plantá-los na terra, assim também, quando de dioceses se desmembram novas dioceses, as causas religiosas  das comunidades cristãs recebem novo incremento, e oferecem-se aos fiéis admiráveis”. Foi desta forma que da árvore de Araçuaí foi destacado um ramo que aqui foi plantado e este cresceu, produziu folhas e frutos  que têm servido para remédio e sustento espiritual do povo que aqui habita.

Ao entrar em nosso tempo jubilar o fazemos rememorando nossa história de fé, descobrindo as pegadas de Cristo deixadas entre nós. Ele que há mais de dois mil anos esteve na Sinagoga de Nazaré e ali anunciou seu projeto missionário de  anunciar o ano da graça do Senhor. Estamos neste tempo de graça e por isso vamos celebrar nossa história pedindo perdão, agradecendo e louvando ao Senhor. É um olhar que visita o passado para construir as bases do futuro.

         A origem do jubileu está na Bíblia. Todo quinquagésimo ano, a contar da entrada de Israel na Terra da Promessa era celebrado. Durante o ano do jubileu, a terra não podia ser cultivada, e os escravos hebreus deviam ser libertados. As terras hereditárias que tinham sido vendidas eram devolvidas. Em certo sentido, o jubileu era um ano inteiro de festividade, um ano de liberdade em que a nação voltava à condição que Deus havia estabelecido para ela no princípio (cf. Lv 25, 10-17). Essa condição nós a encontramos no Gênesis que fala do ato criador de Deus. O paraíso é para a boa convivência do homem, da mulher e da comunhão com Deus.

Ao celebrar nosso jubileu, 60 anos construindo nossa história, evangelizando, promovendo a dignidade humana voltamos ao que Deus quis para nós desde o começo. Voltamos ao sonho  Dele a nosso respeito. Voltamos ao primeiro amor. Aquele amor que nos fez caminhar, sacrificar e não desanimar. Agradecemos a unção que foi  derramada sobre as pessoas dessa diocese para proclamar a libertação aos presos, curar os olhos dos cegos,  dar liberdade aos oprimidos e anunciar o ano da graça do Senhor (Cf. Lc 4, 18-19). Com certeza neste tempo muita gente trabalhou num audacioso processo de libertação, pois as forças que escravizam são constantes. Nossos olhos de filhos e  filhas de Deus foram curados e passamos a enxergar com os olhos da fé. Mas, não podemos apenas querer olhar o mundo com os óculos de Deus, mas principalmente fazer esforço para amar com o seu coração. Podemos agradecer porque muitas pessoas encontraram a sua verdadeira identidade de serem imagens e semelhança de Deus. Nestes tempos vividos muitas pessoas recuperaram a sua dignidade. A Igreja foi amadurecendo na cruz e cumprindo a sua missão.

Jubileu é também tempo de pedir perdão. O perdão renova as esperanças. Precisamos do perdão de Deus e das pessoas. Quem caminha corre o risco de cair. É melhor correr o risco do que ficar parado. “Prefiro uma Igreja acidentada, ferida e enlameada por ter saído pelas estradas, a uma Igreja enferma pelo fechamento e a comodidade de se agarrar às próprias seguranças” (EG 49). Nossa vacilante humanidade nos faz muitas vezes cair. Mas, nos alegra que as mãos de Deus estão sempre estendidas para nos levantar. Pedimos o perdão pelas infidelidades, pela comunhão ferida, pelo comodismo, pelo contra testemunho, pelos escândalos, pela falta de acolhimento entre tantas outras faltas que foram cometidas.

Agradecemos a Deus pelo zelo pastoral dos meus predecessores, dos sacerdotes, religiosas, religiosos, consagrados, cristãos leigos e leigas, pelas vocações, pelas ações pastorais, pela promoção da vida, pelas estruturas físicas que foram sendo edificadas a serviço da ação da pastoral, pela colaboração das paróquias e comunidades quer na evangelização local, ou no sustento da missão pastoral da diocese. Como o leproso curado voltamos ao Senhor agradecendo.

A  leitura da primeira carta de Pedro nos convida a aproximarmos de Cristo que foi como uma pedra rejeitada, mas preciosa e eleita por Deus. Trata-se de recuperar a centralidade de Cristo. Sabemos que a Diocese já passou por momentos difíceis, mas permaneceu no caminho, atravessou seu vale de lágrimas porque a fé em Cristo sinalizou esperanças que as tempestades seriam acalmadas. Não podemos dizer que a Diocese de Teófilo Otoni é difícil, como algumas pessoas dizem. Devemos nos sentir um povo eleito por Deus, no qual como em Maria Ele continua fazendo maravilhas. “Pois o Todo Poderoso fez grandes coisas em meu favor. Seu nome é santo e sua misericórdia perdura de geração em geração para aqueles que o temem” ( Lc 1, 49-50).

 Pedro nos disse: “Sois uma raça eleita, um sacerdócio real, uma nação santa, o povo de sua particular propriedade, a fim de que proclameis as excelências daquele que vos chamou das trevas para sua luz maravilhosa, vós que outrora éreis povo, mas agora sois o Povo de Deus, que não tínheis alcançado misericórdia, mas agora alcançareis  misericórdia” (1Pd 2, 9-10). Pedro nos anima. A Igreja é eleita de Deus. Somos um povo que trazemos as marcas da pertença ao Senhor. As sementes da santidade estão plantadas em nós. Mas, não podemos nos contentar com o passado. Ele nos anima a prosseguir. Temos mais caminho para fazer, do que caminho percorrido.

O que vamos fazer neste ano jubilar? Primeiramente devemos rezar. Precisamos ser cada vez mais uma diocese orante. A oração do ano jubilar deve ser rezada em cada família, nas pastorais e movimentos, comunidades e matrizes. Devemos testemunhar que somos um povo que acreditamos na força da oração. Precisamos continuar pedindo que o Senhor nos envie operários e operárias para a sua messe. Espero realizar as minhas primeiras ordenações em nossa diocese, neste ano Jubilar que estamos iniciando. Como imagem de um povo que caminha queremos realizar uma grande peregrinação diocesana ao Santuário de Aparecida, em junho do próximo ano. Estamos vivendo um processo sinodal. Trata-se da construção conjunta de nosso Plano de Pastoral. Convido a todos a olhar e descobrir nossa realidade, nossos desafios e ouvir o que Deus pede para fazermos. Esperamos com a graça de Deus termos nosso Plano Pastoral aprovado em agosto do próximo ano. E no dia 28 de novembro, do próximo ano, vamos concluir as festividades deste jubileu com a Missa solene presidida pelo Núncio Apostólico, assim esperamos. A virgem Imaculada Conceição nos abençoe e nos ajude a sermos fieis discípulos missionários de seu filho, Jesus.

Dom Messias

Bispo diocesano

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